Nota de repúdio às agressões contra a deputada federal Jandira Feghali
Em meu terceiro
mandato tendo a honra e a responsabilidade de representar o povo cearense na Câmara dos Deputados e em mais de 30 anos de
atuação parlamentar, nunca presenciei episódio semelhante ao registrado nesta
quarta-feira, no plenário da Câmara Federal, tendo por vítima minha colega e
líder da bancada do PCdoB, a valorosa e destemida deputada federal Jandira
Feghali, do PCdoB-RJ.
As agressões, os insultos e as ironias
desferidos contra a deputada não só exemplificam tristemente o clima que o
Poder Legislativo tem vivido, nestes primeiros meses de 2015 em que uma onda
conservadora e reacionária tenta se levantar sobre o Brasil, mas demonstram o
quanto ainda temos que caminhar, como sociedade, para garantir que práticas
repulsivas e condenáveis sejam definitivamente deixadas para trás, como
lembranças de uma história que, felizmente, mudou para melhor.
Os atos de violência denunciados pela
deputada Jandira Feghali, causados por colegas de parlamento que deveriam ser
os primeiros a dar à população o exemplo de travar a luta política no plano das
ideias e da democracia, não da violência, merecem repúdio por parte de toda a
sociedade.
Não, caros colegas deputados, "mulher
que bate como homem” não deve “apanhar como homem”, como chegou a ser dito
nesta quarta-feira, no contexto das agressões, entre expressões infelizes e
reveladoras de preconceito e pobreza de espírito. Quem bate em quem quer que
seja tem que ser responsabilizado, dentro do rigor da lei. Os legisladores
deveriam ser os primeiros a saber disso, mais ainda após a vigência da Lei
Maria da Penha, necessária para proteger as mulheres brasileiras – sejam elas
deputadas ou operárias, lideranças políticas ou donas de casa, líderes de
bancada ou chefes de família.
Prestamos nossa solidariedade à deputada
Jandira Feghali e a todas as mulheres brasileiras que, anonimamente e muitas
vezes contidas pelo medo e pela pressão social, enfrentam agressões de variados
tipos. Que todas se conscientizem, cada vez mais, que é preciso e que vale a
pena lutar, do modo certo, pelo fim dessas práticas inaceitáveis. Exigimos dos
órgãos competentes e da Câmara dos Deputados a apuração rápida e efetiva dos
fatos, com a devida responsabilização de quem, em pleno século XXI, ainda leva
o preconceito e o machismo de casa para a praça – e para o plenário.

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