O PARANÁ VIROU UM CIRCO

(Estamos esperando o pronunciamento do presidente do PSDB)
Depois de prolongada greve, a exemplo das que acontecem também no Pará e em São Paulo, o governador Beto Richa, mergulhado em denúncias de corrupção em todos os escalões do seu governo, tendo aumentado em mais de 50% os impostos estaduais, resolveu avançar sobre a aposentadoria dos funcionários públicos.
Os professores decidiram invadir a Assembleia Legislativa, para pressionar os deputados a votarem contrários às mãos nos bolsos do funcionalismo.
A partir daí o centro de Curitiba virou uma praça de guerra, com imagens, que já se espalharam pelo mundo e fizeram a Anistia Internacional pedir explicações ao governo brasileiro, com imagens muito próximas às da Praça da Paz Celestial, em Pequim, a alguns anos atrás.
A Polícia Militar se posicionou estrategicamente, inclusive com atiradores de elite, com armas pesadas, sobre terraços e telhados (o que esperavam, professores com metralhadoras?), com o efetivo da polícia reforçado com contingentes mobilizados do interior do estado.
E o que vimos foi uma das maiores covardias das últimas décadas.
Foi tanto gás lacrimogênio que os deputados tiveram que evacuar o plenário, no interior da Assembleia, porque o gás vindo das ruas invadiu portas e janelas (cada bombinha daquelas, que eles lançam aos milhares, custa quase meio salário mínimo, pago pelas vítimas), spray de pimenta, cassetetadas, bombas de efeito moral, cães pit bull e, covardia das covardias, tiros com balas de borracha nos rostos dos manifestantes.
As balas de borracha não são perfurantes, mas têm o mesmo impacto das balas metálicas e a sua função é provocar dor muscular, devendo atingir as pernas, o abdômen e as nádegas. 
Atingindo o rosto do manifestante, pode cegar ou quebrar dentes, quando não rasgar os supercílios, e foram vários os manifestantes atingidos no rosto, mostrando que não houve acidente, mas intenção deliberada de provocar mutilações.
Resultado: 230 professores atendidos em hospitais, entre eles 8 em estado grave (nem mesmo professores cadeirantes foram poupados das porradas).
Até aqui a situação é séria, longe de ser um circo, e que justifica o afastamento do governador, ou a intervenção federal, se os fatos se repetirem, e o circo começa começa a partir daqui.
Vazou para as redes sociais o governador e o seu staff às gargalhadas com o acontecido, com o secretário e o próprio governador mais que justificando, defendendo a ação policial, apontando partidos políticos e Blac Blocs infiltrados entre os professores.
Examinando-se todos os vídeos e fotos postados nas redes sociais não se vê uma faixa político partidária, uma bandeira - e ainda que houvesse, faz parte do jogo democrático, nenhum mascarado, nenhum ato de vandalismo, exceto os da polícia.
A Band Tevê teve o cuidado de investigar isso e também não encontrou bandeiras, faixas ou mascarados (os panos, normalmente lenços, sobre as narinas e a boca, usados pelos manifestantes, são para suportar os gases lançados pela polícia), com o jornalista Ricardo Boechat concluindo: "mas, ainda que tivesse Black Blocs, quantos, oito, dez? E isso justifica 230 feridos?"
Logo o governador tentou culpar os professores, como se, a maioria mulheres, tivessem investido sobre a tropa, o que é, no mínimo hilário, só não mais hilário que as fotos de policiais feridos com tinta, nas redes sociais, para provar a periculosidade desses bandidos da falange do giz.
Ora, o sangue é opaco, mantém a cor, independente da cor do fundo sobre a qual caia, e tivemos sangue de diversas gradações, indo do rosa claro, nos capacetes brancos, passando pelo rosa choque e o lilás até o vermelho PT, longe da cor do sangue.
O sangue não é líquido, mas coloidal, por causa das suas células, o que quer dizer que não se espalha uniformemente, mas formando camada, exceto nos policiais, com sangue espalhado de maneira uniforme, em película fina.
Em contato com o ar o sangue cogula-se imediatamente, tomando a cor negra, mas os policiais devem ter tomado overdose de anti coagulantes, porque horas depois o sangue ainda estava líquido, fresquinho como um soldado gay.
Sangue na tropa só se das hemorroidas de algum sargento ou da menstruação de uma policial feminina, mas para alimentar coxinhas cúmplices, vale tudo, até o risco de mais desmoralização para um governo já desmoralizado.
O povo brasileiro merece uma explicação sobre essa palhaçada de mau gosto.
Quem deve dá-la não é Richa, pivô, razão de ser de tudo. Menos o Secretário de Segurança, Francischini, caixa de ressonância de Richa.
Aloysio Nunes
já se manifestou, mas sem autoridade porque só como o cidadão fascista que é, e não em nome do partido.
Como todo bom covarde oportunista, o Sr. Álvaro Dias, cabo eleitoral e sustentáculo político de Richa, sumiu.
Cabe ao presidente do PSDB, Sr. Aécio Neves, justificar-se em nome do partido, esclarecendo à opinião pública o porque das greves de professores no Pará, em São Paulo, greve que já se arrasta a quase dois meses, e, principalmente no Paraná, o porque de toda a barbárie tucana, mesmo que isso custe ao Sr. Neves as críticas do professorado mineiro, lembrando que, quando ele era governador, lá não era diferente.

Rio, 01/05/2015.

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