A confirmação de que o vírus zika pode causar microcefalia (má-formação
do cérebro) em bebês e a possível relação com doenças neurológicas em
adultos vem causando preocupação na população. O UOL consultou os
infectologistas Ana Freitas Ribeiro, do Hospital Emílio Ribas, e Érico
Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, que
responderam as principais dúvidas sobre o assunto.
O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite também os vírus da dengue e da febre chikungunya, e tem também sintomas parecidos com o da dengue, mas intensidades diferentes. Porém, depois de comprovada a ligação do zika com a microcefalia, concluiu-se a necessidade de se estudar mais o vírus.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já registrou ao menos 1.761 casos suspeitos de microcefalia em 13 Estados e no Distrito Federal este ano, número dez vezes maior do que a média de notificações anuais no Brasil.
Não há dados exatos do total de casos de zika no país, já que a doença não apresenta sintomas na maioria dos casos. Mas estima-se que ao menos 500 mil pessoas foram infectadas com o vírus no país somente em 2015.
"Apesar de ser transmitido pelo Aedes aegypti e ter reações parecidas com o vírus da dengue, o zika vírus é diferente na sua estrutura biológica e por isso é possível que haja comportamento diferente no organismo para que cause a má-formação", afirma Arruda.
Por enquanto, o diagnóstico é feito pelos sintomas (clínico). O método, no entanto, é impreciso visto que dengue, zika e chikungunya têm sintomas muito parecidos. Alguns testes foram feitos também para identificar o material genético do vírus no sangue dos pacientes. Contudo, esse exame é caro, demorado e restrito, pois só é capaz de detectar o vírus até o 5° dia de sintomas.
O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite também os vírus da dengue e da febre chikungunya, e tem também sintomas parecidos com o da dengue, mas intensidades diferentes. Porém, depois de comprovada a ligação do zika com a microcefalia, concluiu-se a necessidade de se estudar mais o vírus.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já registrou ao menos 1.761 casos suspeitos de microcefalia em 13 Estados e no Distrito Federal este ano, número dez vezes maior do que a média de notificações anuais no Brasil.
Não há dados exatos do total de casos de zika no país, já que a doença não apresenta sintomas na maioria dos casos. Mas estima-se que ao menos 500 mil pessoas foram infectadas com o vírus no país somente em 2015.
"Apesar de ser transmitido pelo Aedes aegypti e ter reações parecidas com o vírus da dengue, o zika vírus é diferente na sua estrutura biológica e por isso é possível que haja comportamento diferente no organismo para que cause a má-formação", afirma Arruda.
Diagnóstico
Ainda não há kits de diagnóstico para o zika no sistema público. O Instituto Adolfo Lutz está desenvolvendo o teste que, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, estará pronto nas "próximas semanas". Na rede privada, o laboratório Hermes Pardini oferece o teste para o vírus zika a R$ 500. O Fleury deve começar a oferecer o exame em até dez dias.Por enquanto, o diagnóstico é feito pelos sintomas (clínico). O método, no entanto, é impreciso visto que dengue, zika e chikungunya têm sintomas muito parecidos. Alguns testes foram feitos também para identificar o material genético do vírus no sangue dos pacientes. Contudo, esse exame é caro, demorado e restrito, pois só é capaz de detectar o vírus até o 5° dia de sintomas.
Saiba mais sobre zika e microcefalia
O que é o vírus zika?
O zika é um vírus da família Flaviviridae, do gênero Flavivirus,
transmitido pela picada no mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite
os vírus da dengue e do chikungunya. Há duas linhagens de zika, uma de
origem africana e outra de origem asiática, a última predominante no
Brasil
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Quais são os sintomas do zika?
Em cerca de 80% dos casos não há sintomas, mas quando eles surgem são
praticamente os mesmos que os da dengue: febre, dores e manchas pelo
corpo, olhos vermelhos e diminuição no número de plaquetas no sangue. No
zika, a vermelhidão e as manchas no corpo são mais acentuadas, na
dengue as dores no corpo costumam ser mais fortes e no chikungunya há
fortes dores articulares
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O zika é passado pelo sexo ou pelo leite materno?
O vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Há casos
de identificação do vírus no leite materno e no sêmen, no entanto são
considerados raros e a doença não é tida como sexualmente transmissível
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Tem tratamento para o zika?
Não. Assim como na dengue, os sintomas são tratados com remédios para
dor e para diminuir a febre, já que os sintomas somem em sete dias, em
média
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Como prevenir o zika?
Elimine focos de água parada em casa e no trabalho, onde as larvas do
Aedes aegypti crescem e viram mosquitos. Use mosquiteiros, calças e
mangas compridas em locais com muitos mosquitos e permita a entrada de
agentes da vigilância sanitária para destruir focos com inseticidas e
larvicidas
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Já tive dengue. Tenho menos chance de ter zika?
Por serem vírus diferentes, há relatos de pessoas que contraíram tanto a
dengue como o zika. Até o momento, os cientistas acreditam que o humano
não fica imune ao zika depois de contrair dengue. Ainda não se sabe se a
pessoa se torna imune ao zika após contrair a doença uma vez
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Existe uma vacina contra o zika?
Por enquanto não. O processo para a criação de uma vacina é muito
longo, haja vista que a própria vacina da dengue ainda está na fase de
testes clínicos
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Crianças e adultos com zika podem sofrer sequelas neurológicas?
Ainda não se sabe. Já foi comprovada que a infecção pelo zika em
gestantes tem correlação com a microcefalia. Cientistas suspeitam que o
vírus possa atingir o sistema neurológico, aumentando o risco de doenças
autoimunes como a síndrome de Guillain-Barré
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Há exames que comprovam o zika?
O exame mais utilizado para diagnosticar o zika é o PCR (Reação de
cadeia de polimerase), usado para detectar dengue no material genético e
que pode indicar zika por exclusão. Neste exame o zika só é detectado
em até 5 dias após a contaminação. Caso alguém faça o teste depois, não
será detectado o zika. O teste no entanto é caro e restrito
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O aumento de casos de microcefalia no Brasil é causado pelo vírus zika?
O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus zika e o surto
de microcefalia na região Nordeste, após resultado de exame de um bebê
cearense, que nasceu com microcefalia e outras más-formações congênitas,
ter apresentado o vírus zika em amostras de sangue e tecidos. Essa é
uma situação inédita na pesquisa científica mundial. Em análise inicial,
o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez
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O que é a microcefalia?
A microcefalia é uma má-formação congênita, em que o cérebro não se
desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com o
tamanho da cabeça menor que o normal, que habitualmente é superior a 32
cm. A doença pode acarretar problemas no desenvolvimento, com limitações
para falar, andar, escutar, e ainda algum grau de deficiência mental
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Quais as causas da microcefalia?
A má-formação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de
diferentes origens, como uso de substâncias químicas e agentes
biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação durante a
gravidez
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Como as grávidas podem se prevenir contra o zika?
Use repelentes, roupas de manga comprida e evite acumular água parada
em casa ou no trabalho. Não use remédios sem prescrição e faça um
pré-natal qualificado, com todos os exames previstos. Procure um médico
se sentir qualquer um dos sintomas apontados e se pretende viajar para
áreas endêmicas
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Qual período da gestação é mais suscetível à ação do vírus?
As gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia tiveram sintomas
do vírus zika no primeiro trimestre da gravidez. Mas o cuidado para não
entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti é para todo o período da
gestação
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Qual o tratamento para a microcefalia?
Não há tratamento específico. Existem ações de suporte que podem
auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança. Como cada criança
desenvolve complicações diferentes --entre elas respiratórias,
neurológicas e motoras-- o acompanhamento por diferentes especialistas
vai depender de suas funções que ficarem comprometidas. No SUS (Sistema
Único de Saúde) estão disponíveis serviços de atenção básica e de
reabilitação, além de exames e colocação de órteses e próteses
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É possível detectar a microcefalia apenas com ultrassonografia?
Sim. No entanto, somente o médico que está acompanhando a grávida poderá indicar o método de imagem mais adequado
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Como é feito o diagnóstico da microcefalia?
Após o nascimento do recém-nascido, o primeiro exame físico é rotina
nos berçários e deve ser feito em até 24 horas do nascimento. Este
período é um dos principais momentos para se realizar busca ativa de
possíveis anomalias congênitas. Por isso, é importante que os
profissionais de saúde fiquem sensíveis para notificar os casos de
microcefalia no registro da doença no Sistema de Informação sobre
Nascidos Vivos (Sinasc). A má-formação pode, ainda, ser confirmada com
exame de tomografia
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